Fine Art: impressão com qualidade e longevidade

Impressão Fine Art
©Hahnemühle William Turner

No post da semana passada falamos sobre a importância do gerenciamento de cores e perfis ICC na fotografia. Hoje trataremos de um dos aspectos mais importantes da impressão fine art: a longevidade das obras produzidas com essa técnica.

Aplicamos o gerenciamento de cores desde a captura da foto até o tratamento e agora chegou a hora de imprimir. De acordo com a finalidade alguns cuidados precisam ser observados, mas creio que o quesito permanência seja importante em todas elas. No caso de museus e galerias essa exigência é inegociável, mas mesmo que seja para nossos álbuns de recordações importantes essa qualidade é mais do que bem vinda.

A facilidade para compartilhar imagens na internet, aliada ao seu baixo custo, proporciona bastante visibilidade, ainda que a disputa pelo olhar do espectador seja intensa, mas a experiência de olhar para uma fotografia no papel, perscrutar seus detalhes e nuances com calma e atenção ainda propicia grande prazer e satisfação ao observador.

Mas uma impressão só pode ser considerada fine art quando atende a uma série de requisitos e é sobre isso que trataremos agora.

 Corante (Dye Ink) x Pigmento Mineral (Pigment Ink)

A impressão fine art é feita em uma impressora jato de tinta. O site DTM Print apresenta um ótimo comparativo entre os dois tipos de colorantes que podem ser utilizados. Para resumir, existem impressoras que trabalham com cartuchos de tinta à base de corante (dye ink), as que utilizam tinta à base de pigmentos minerais (pigment ink) e as que trabalham com as duas.

  • A tinta à base de corante, apesar de possuir um espaço de cor maior, é solúvel em água, logo apresenta menos resistência à humidade e a possíveis acidentes com líquidos. A qualidade da impressão é excelente, mas sua longevidade nem tanto. É indicada para ambientes internos, mas se exposta diariamente e diretamente à luz começa a esmaecer bem rápido.
  • A tinta à base de pigmento mineral é mais resistente à agua e aos raios UV e pode ser utilizada, inclusive, em ambientes externos. A qualidade de impressão também é excelente e ainda apresenta o preto mais sólido que o corante. É o tipo de colorante exigido na impressão fine art, portanto é preciso ter atenção especial para o tipo de impressora/tinta a ser utilizada.
Impressão Fine Art
Fonte: Site DTM Print | Corante x Pigmento: enquanto o corante é solúvel o pigmento fica em suspensão, como na comparação feita no site, o corante se comportaria como o açúcar e o pigmento como areia quando colocados na água. O comportamento no papel, como simulado na figura também é diferente.

Papel Fine Art

O papel fine art, e aqui incluímos o canvas, é caracterizado pela alta qualidade. Ele é um papel de ph neutro, composto por fibras naturais, como p. ex. algodão ou alpha celulose, não são acrescentados branqueadores artificiais e normalmente possuem espessura e gramatura maior.

As principais marcas são Hahnemühle, Canson e Awagami. Cada fabricante possui grande variedade de opções para os mais variados tipos de fotografia. Desde papéis lisos ou com textura, foscos/matte, passando pelos semi-brilhantes/semi-gloss até os brilhantes/glossy. Mas atenção: algumas marcas oferecem alguns papéis fotográficos, também de boa qualidade, mas que não são fine art.

Impressão Fine Art
Fonte: Site Hahnemühle

 

No site: https://www.freestylephoto.biz/inkjet/paper-ratings eles possuem uma tabela com vários fabricantes e tipos de papéis, suas características, compatibilidade com o tipo de tinta (corante ou pigmento) e a nota que eles dão para cada um, vale a pena conferir.

Impressão Fine Art
Fonte: Site Free Style Photo

 

Testes de Permanência

Sem entrar na questão estética, até aqui vimos que a impressão, para ser considerada fine art, precisa seguir algumas regras básicas: o uso de pigmento mineral e de papel fine art. Mas como sabemos que essas recomendações produzem uma obra duradoura? Alguns testes que simulam anos de exposição à luz e o esmaecimento da imagem no papel podem estipular a longevidade da foto impressa.

A Aardenburg Imaging and Archives é uma organização sem fins lucrativos que realiza pesquisas e testes relacionados à imagem, fotografia e impressão. Você pode fazer seu cadastro gratuito e ter acesso a relatórios e demais materiais. São bem técnicos, mas abrangem vários modelos de impressoras e os mais variados tipos de papéis.

Outro site que divulga testes e pesquisas é o Wilhelm Imaging Research, lá você encontra relatórios e artigos sobre permanência e demais assuntos relacionados à imagem, fotografia e impressão.

Esses testes podem servir como referência na hora de escolher onde imprimir. O WIR não permite reproduzir os arquivos deles em websites, mas se pegarmos o último relatório de testes de permanência, feitos com os papéis da linha Infinity da Canson (2020), podemos ver que existem diferenças a serem consideradas.

Utilizando como exemplo o Rag Photographique, veremos que uma impressão feita em uma impressora Epson HDX Inks (SureColor P9000 e UltraChrome HDX 11-color pigment inks) e exposta em moldura com vidro c/ filtro UV pode durar 253 anos até começar a esmaecer. O mesmo papel impresso em Canon Lucia Pro Inks, exposto da mesma maneira pode durar 130 anos. Para a HP Vivera Inks (Z3100, Z3200, Z6200) essa duração, nas mesmas condições, é de 384 anos. No caso de armazenamento protegido da luz, tanto para Epson e Canon, o tempo passa para > de 200 anos e HP > de 300 anos.

Impressão Fine Art
Fonte: Site Canson

Considerações Finais

As escolhas da impressora e dos papéis são importantes, mas não podemos nos esquecer que outros cuidados, no manuseio e armazenamento, são necessários para preservação e conservação das fotografias impressas. E não precisamos ficar apenas no mundo das galerias e museus. Nossas valiosas lembranças também podem receber o mesmo tratamento, penduradas nas paredes, expostas em porta-retratos ou guardadas no bom e velho álbum, a impressão fine art aplicada para a fotografia social irá garantir que esses documentos, se bem conservados, passem de geração para geração.

São muitas informações, a variedade de papéis é enorme e eu sei que isso pode causar um pouco de insegurança. Eu trabalhei no atendimento de um estúdio de impressão fine art e posso dizer que boa parte das pessoas que procuravam os serviços não estava familiarizada com tantos detalhes, e tudo bem! Minha missão era explicar todas essas questões sobre tintas e papéis e auxiliá-las, o máximo que pudesse, a fazer boas escolhas, eu sempre digo: precisamos ouvir o que a imagem pede!

No post de hoje vimos que para ser considerada fine art uma impressão deve seguir algumas recomendações importantes, como a utilização de tintas à base de pigmentos minerais e papéis fine art. Mas o cuidado não para por aí, podemos incluir todo o processo de manuseio, montagem e armazenamento que deve observar as necessidades de cada caso (exposição/arquivo). Todas essas ações são importantes para garantir a qualidade da impressão e a longevidade da fotografia no papel.

Escrito por

Tem se dedicado aos estudos de fotografia e imagem desde 2005. Está sempre com os olhos abertos, ouvidos atentos, imaginação fértil e a língua afiada.