NFT em destaque no Relatório Artprice 2021

NFT em destaque no Relatório Artprice 2021

NFT aparece em destaque no relatório Artprice e ultrapassa o faturamento da fotografia nas vendas em leilões de arte.

O site Art Market divulgou o Relatório do Mercado de Arte Global de 2021, da Artprice, que pode ser baixado gratuitamente. O relatório faz uma análise das vendas globais de leilões de obras de arte, incluindo pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, prints, vídeos, instalações, tapeçarias e NFT’s, mas exclui: antiguidades, propriedade cultural anônima e móveis. As obras estão distribuídas em três grandes nichos: arte do ocidente, que inclui toda a produção mundial, com exceção da China; China e NFT.

A pesquisa engloba o período de 1° de janeiro de 2021 a 31 de dezembro de 2021. Todos os preços indicados no relatório referem-se a resultados de leilões públicos, incluindo as taxas do comprador. Os valores indicados em $ estão em dólares dos EUA. Os dados apresentados são bastante otimistas e mostram um aumento de 60% no faturamento de leilões em 2021, em relação a 2020, apesar da continuidade da pandemia.

É possível também verificar que a migração do mercado de arte para a esfera virtual (internet) já é uma realidade em todos os cinco continentes, quase relegando a necessidade de salas de leilão físico à história. As vendas online, ao vivo, realizadas pelas casas de leilão aumentaram 720% em todo o mundo nos dois anos da pandemia da Covid-19. Esse nível de crescimento havia sido inicialmente previsto apenas para 2025-2027. A seguir veremos alguns destaques.

Evolução dos volumes de negócios de leilões globais

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Evolução dos volumes de negócio – Artprice

No gráfico podemos ver que a China começou a despontar em 2010, quando o mundo ainda vivia as consequências da crise 2008/2009.

Distribuição geográfica dos volumes de negócios por país

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Distribuição geográfica dos volumes de negócios por país – Artprice

Em 2021 a China manteve a liderança de 2020, apesar da pandemia. Abaixo vemos os números de obras vendidas nos seis principais países. Mesmo com menos trabalhos vendidos, a China se manteve à frente dos EUA, o que indica que os valores alcançados foram maiores.

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Número de obras vendidas – Artprice

Mas mesmo com o protagonismo Chinês, Nova Iorque continua o epicentro do mercado de arte:

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Principais cidades – Artprice

A pintura continua como a principal linguagem e foi responsável pela movimentação de $ 9,5 bilhões, sendo 65% do faturamento global e representando 35% das obras nos leilões. Outro destaque importante foram os NFT’s, mesmo representando um nicho de mercado muito pequeno (279 lotes vendidos), os tokens não-fungíveis geraram $ 232 milhões, ou seja, mais do que o mercado de fotografia ($ 142 milhões com 22.000 lotes vendidos).

Total de vendas por linguagem

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Vendas por linguagem – Artprice

Destaque também para os prints. Os prints continuam a crescer com um total excepcional de $ 529 milhões dos mais de 143.000 lotes vendidos, um novo recorde para esta mais acessível categoria de mercado que expandiu-se durante a pandemia (contra a maré das contrações nas outras linguagens).

Vanguardas, Op, Pop e Street Art, este é o top 10 de artistas por lotes vendidos, incluem-se, além das pinturas, prints e outras linguagens:

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Top 10 artistas – Artprice

O destaque nos NFT’s vai para o artista Beeple, que teve sua obra “The first 500 days” arrematada por $ 69,3 milhões, em março de 2021 e deu início à corrida dos tokens não-fungíveis, tanto foi assim que o dicionário britânico Collins elegeu NFT a palavra do ano de 2021. O relatório traz uma linha do tempo dos NFT’s e um glossário para ajudar quem ainda não está muito familiarizado.

Outro dado interessante é que os NFTs habilitaram as casas de leilões a atrair uma nova população de jovens colecionadores de criptos. De acordo com a Christie’s, 22 milhões de pessoas, das quais quase 60% tinham menos de 40 anos, estavam conectadas para acompanhar a venda de Beeple.

O relatório Artprice só leva em consideração os leilões, mas de acordo com informações do site DappRadar, que só contabiliza as operações realizadas dentro das blockchains, em 2021 as vendas de NFT’s chegaram perto da marca de $ 25 bilhões, como pode ser visto no gráfico abaixo:

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NFT – DappRadar

O DappRadar ainda traz algumas informações interessantes sobre o público. O primeiro destaque  vai para as faixas etárias que mais aderiram às blockchains, millenials e genZ são predominantes:

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Divisão por idades – DappRadar

O segundo fica por conta dos países com maior atividade. EUA é o campeão absoluto em tráfego, mas quem ocupa o terceiro lugar é o Brasil. De acordo com o site, isso é graças ao sucesso que os colecionáveis possuem por estas bandas:

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Países com maiores atividades – DappRadar

Considerações finais

2021 parece ter sido o ano do início de um mundo em recuperação: saúde e atividades presenciais que incluem trabalho, estudo e cultura, aos poucos, foram resgatadas e ainda estão em fase de reabilitação. Isso não significa que acabou, ainda há muita coisa para ser recuperada e, como se uma pandemia não bastasse, não podemos nos esquecer das guerras e conflitos em curso.

O ânimo é essencial, mas se ele vier acompanhado de estratégia é melhor ainda. Os números da Artprice são otimistas, mas não podemos nos esquecer que eles são um instantâneo, um recorte, do chamado centro do capitalismo, onde o dinheiro grosso circula e onde as barreiras de entrada são bem difíceis de serem transpostas.

É por essas e outras que os NFT’s ganharam tanto destaque. Como frisa bem o próprio relatório Artprice, o artista Beeple, que teve sua obra arrematada por $ 70 milhões, nunca foi representado por uma galeria, não tinha feito nenhuma exposição,  ou seja, para o mercado de arte tradicional ele simplesmente não existia. Mas ele tinha algo muito importante: uma comunidade construída nas redes sociais.

O que a princípio foi visto como bolha logo se mostrou consistente e forçou instituições consolidadas a se adaptarem.

Além de apresentar poucas barreiras de entrada (educação e internet, por exemplo) creio que algo que merece ser exaltado com relação aos NFT’s é esse sentimento de comunidade que ele resgata e que é essencial para nós, seres humanos. O foco das notícias, gráficos e discussões de bar e facebook são as vendas milionárias, mas não podemos esquecer que milhares de transações menores, doações e trocas acontecem o tempo todo e fazem parte do sucesso que os criptoativos têm principalmente entre as gerações já citadas.

O assunto é sim complexo, por isso estudar o tema e acompanhar as notícias (de fontes confiáveis) é essencial. Para quem quiser se inserir nesse universo o curso NFT Art é uma ótima opção e está com inscrições abertas, acesse:  http://cursonftart.com.br/.

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Recomendo também o documentário “O preço de tudo” (The price of everything, 2018):

Escrito por

Tem se dedicado aos estudos de fotografia e imagem desde 2005. Está sempre com os olhos abertos, ouvidos atentos, imaginação fértil e a língua afiada.