Fotografia: 30 artistas para seguir – parte 1

Fotografia Patti Smith
Patti Smith's Illustrated Edition of Just Kids includes photos of Smith with Robert Mapplethorpe by Norman Seeff

Escolher 30 nomes dentro de um universo tão vasto como o da fotografia pode parecer, à primeira vista, fácil, mas quando me vi com a necessidade de fechar a lista percebi que a missão não seria tão simples: como deixar tanta gente de fora? Primeiro pensei: “ah, algumas figuras são obrigatórias independente de lista”, aí pude ficar despreocupada com nomes como Claudia Andujar, Sebastião Salgado, Cartier-Bresson, Capa, Irving Penn, Rosângela Rennó e tantas/os outras/os. Segundo: como trazer uma abordagem menos óbvia? Esse segundo ponto resolvi de forma mais intuitiva. Ao final percebi que havia selecionado artistas com trabalhos bastante focados no humano e isso de alguma forma foi providencial. Separei dois grupos, nesta primeira parte falaremos de artistas internacionais e depois apenas brasileiros/as.

Vamos começar com nomes que podem causar algum estranhamento. 1)  Rachel Morrison (@rmorrison): EUA, 1ª mulher a ser indicada ao Oscar de melhor Direção de Fotografia com o filme Mudbound – Lágrimas sobre o Mississippi (2017) além de ser a diretora de fotografia de Pantera Negra. Mas ele é diretora de fotografia! Sim, e isso não tem problema, “é tudo mesmo só uma questão de luz”, esta frase está no livro “Só Garotos” (Just Kids) de 2) Patti Smith (@thisispattismith): EUA, apesar de ser cantora, compositora e escritora, Patti tem uma relação muito próxima com a fotografia. A frase anterior foi dita pelo fotógrafo Robert Mapplethorpe ao admirar uma coleção de fotografias vitorianas do Met (The Metropolitan Museum of Art, NY). Nesse livro ela conta como foi o começo da carreira dos dois, com todos os perrengues passados até o reconhecimento.

 

Patti Smith
Patti Smith’s Illustrated Edition of Just Kids includes photos of Smith with Robert Mapplethorpe by Norman Seeff

 

Mais um nome vindo da música 3) Chris Stein (@christein): EUA, é o co-fundador e guitarrista da banda Blondie e isso possibilitou o registro da cena musical e artística da Nova Iorque dos anos 70 e 80, mas continua na ativa e ainda ataca na fotografia de rua. E pra fechar a seção musical 4) Mick Rock (@therealmickrock): Inglaterra, famoso por retratar o mundo da música com destaque especial para o Rock, dispensa maiores comentários.

5) Peter Lindbergh (@therealpeterlindbergh): Alemanha (atualmente vive entre Paris, Arles e Nova Iorque), fã de Van Gogh seu trabalho foi um divisor de águas na fotografia de moda. Suas fotos de modelos e de celebridades do cinema e da música buscam trazer mais realismo e procuram privilegiar a alma e a personalidade dos retratados, defendendo o direito, principalmente das mulheres, de envelhecer sem culpa.

6) Elizaveta Porodina (@elizavetaporodina): Rússia (vive atualmente em Munich), foi psicóloga antes de começar a trabalhar com fotografia de moda e publicidade. Define seu estilo como “Dark Romantic”, suas imagens são potentes e revelam o interesse da artista por tudo o que é humano. Vou fazer o link com 7) Alex Prager (@alexprager): EUA, também fotógrafa de moda, ela tem como inspiração sua cidade natal: Los Angeles, cidade dos sonhos e como diz a artista “é a estranha imagem da perfeição”. Ela questiona essa perfeição superficial tão típica dos filmes de Hollywood, mas apesar de reproduzir essa estética em suas imagens não deixa de causar estranhamento.

 

Elizaveta Porodina
Foto: ©Elizaveta Porodina

 

Da ilusão plastificada vamos direto  para o soco no estômago da vida real, 8) Nan Goldin (@nangoldinstudio): EUA (vive atualmente em Paris), sempre acreditou que a câmera é uma ferramenta política para abordar assuntos que geralmente são silenciados. Com autorretratos e retratos dentro de seu círculo de amizade registrou relacionamentos abusivos, corpos LGBT, HIV, dependência química e mais recentemente tem sido bastante crítica com relação à crise dos opioides, o perigoso consumo de remédios controlados feitos à base de ópio. Seu trabalho recebeu algumas críticas, pois supostamente glamorizava o uso de heroína. Ela rebate dizendo que o uso do termo “heroin chic” para vender roupas e perfumes é que seria repreensível e errado.

Parêntesis: para a galera mais nova, “heroin chic” foi um look muito famoso no mundo da moda nos anos 90. Era caracterizado pelo cabelo desgrenhado, olheiras, pele pálida, magreza extrema, roupas mais largas, etc. Um visual que transmitisse a impressão de que tratava-se de um/a usuário/a de heroína. Esta é uma questão moral que pediria outro post para ser debatida, apenas quis descrever de forma breve o termo para aqueles que desconheciam.

 

Nan Goldin
Foto: ©Nan Goldin. Buzz and Nan at the Afterhours, New York City, 1980

 

E por falar em crítica ao trabalho 9) Jimmy Nelson (@jimmy.nelson.official): Inglatera, fotógrafo que documenta povos originários pelo mundo. Seu trabalho sofre críticas por suas fotos serem encenadas e apresentarem certo distanciamento entre fotógrafo e seus fotografados. Ele se defende dizendo que o que ele busca é uma experiência estética criativa e subjetiva, não o realismo de uma reportagem fotográfica. E assim caímos em um tema muito em alta nos dias atuais: lugar de fala. É muito simbólico um fotógrafo inglês, país com passado imperialista, viajar o mundo para registrar tribos e grupos indígenas, poderia ser visto como uma segunda colonização? Este assunto também mereceria um post à parte, mas fica aí a reflexão.

Vamos com uma sequência que mostra que representatividade importa. 10) Renee Cox (@reneecoxstudio): Jamaica (atualmente EUA), seu trabalho, que inclui autorretratos, busca discutir temas sociais como racismo e sexismo e releituras de obras religiosas que buscam, de forma inusitada, inserir o povo negro nas imagens da cristandade, cristianismo esse tão presente entre negros/as americanos/as, mas que não se vêem representados. Do outro lado do muro 11) Graciela Iturbide (@gracielaiturbide): México, com seu trabalho documental carregado de poesia retrata o México, e outros lugares, de maneira mágica. Ela recusa rótulos como realismo fantástico ou surrealismo, ela diz que é ela, Graciela e pronto.

Vamos cruzar o Atlântico e fazer uma parada na África. 12) Girma Berta (@gboxcreative): Etiópia, quem aqui ama cor? Eu amo e as cores de Girma são uma atração à parte. Pelas ruas de Addis Ababa, ele diz que seu desejo é capturar o feio e o belo e tudo o que tem entre um e outro. 13) Omar Victor Diop (@omar_viktor): Senegal, moda, publicidade e ancestralidade, novidade e tradição, tudo isso com imagens belas e potentes carregadas de sentimentos e significados.

 

Omar Victor Diop
Ken, 2011 – Le studio des vanités – ©Omar Victor Diop

 

Estamos quase no fim! 14) Diana Zeyneb Alhindawi (@dianazeynebalhindawi): Romênia (vive atualmente nos EUA), sua preocupação é a condição humana. De mãe romena e pai iraquiano ela tem um olhar especial para questões políticas, direitos humanos, situação dos refugiados e conflitos pelo mundo. E para encerrar essa primeira parte, 15) Uğur Gallenkuş (@ugurgallen), Turquia, suas colagens são bem diretas, o contraste entre oriente e ocidente nu e cru. De um lado o consumo, o luxo e a aparente paz e de outro a escassez, a pobreza e a guerra. São imagens fortes e emocionantes que nos fazem pensar sobre a desigualdade no sistema capitalista e a fragilidade humana.

 

Uğur Gallenkuş
Colagem: ©Uğur Gallenkuş

 

Espero que tenham gostado desta primeira parte, não vou me alongar muito nas despedidas porque logo menos tem mais, com nossos conterrâneos e a costura final sobre esta seleção.

 

Escrito por

Publicitária com especialização em fotografia, blogueira e atualmente estuda Ciências Sociais. Está sempre com os olhos abertos, ouvidos atentos, imaginação fértil e a língua afiada.

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