“Claudia Andujar, no lugar do outro”, exposição no IMS-RJ

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O Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro abre em 25 de julho de 2015 a exposição CLAUDIA ANDUJAR, NO LUGAR DO OUTRO. A mostra lança nova luz sobre a trajetória da fotógrafa ao apresentar trabalhos pouco conhecidos da primeira parte de sua carreira, anterior ao envolvimento com os índios Yanomami. São reportagens fotográficas e ensaios pessoais, que incluem desde os registros documentais em preto e branco do começo da carreira até a experimentação gráfica colorida do fim dos anos 1960 e começo dos anos 1970.

A mostra é dividida em quatro núcleos. O núcleo Famílias Brasileiras apresenta um dos primeiros trabalhos de fôlego feitos por Claudia no Brasil. Entre1962 e 1964, a fotógrafa registrou o cotidiano de quatro famílias de contextos muito distintos: uma família baiana dona de uma próspera fazenda de cacau, uma família da classe média paulista, uma família de pescadores caiçaras isolada em uma praia de Ubatuba (SP) e uma família mineira religiosa. Feito com a intenção de entender como viviam os brasileiros, Claudia almejava publicar o trabalho em uma revista, mas o perfil diverso do conjunto não interessou à publicação.

O segundo núcleo é formado por reportagens desenvolvidas pela fotógrafa para a revista Realidade, onde trabalhou de 1966 a 1971. Criada em 1966,Realidade foi um marco na imprensa brasileira pela qualidade das matérias e por reunir um time notável de fotógrafos, que incluía nomes como Maureen Bisilliat, George Love e David Drew Zingg. A ousadia editorial de Realidade foi o ambiente perfeito para que Claudia mergulhasse em temas controversos, espinhosos e poucos discutidos na imprensa.

Para a revista Realidade, Claudia fotografou as polêmicas operações do médico-espírita Zé Arigó, em Congonhas do Campo (MG); a intensa atividade de uma parteira na pacata cidade de Bento Gonçalves (RS); a situação dos pacientes do Hospital Psiquiátrico do Juqueri, em São Paulo; uma sessão de psicodrama; e o controverso “trem baiano”, que levava imigrantes desempregados em São Paulo de volta a seus estados natais. Além de reportagens, Claudia também desenvolveu ensaios fotográficos para ilustrar matérias da revista. Fazem parte da exposição uma série sobre relacionamentos homossexuais, cujas fotos não foram publicadas pela revista, e um ensaio sobre a natureza dos pesadelos.

O terceiro núcleo é formado por três ensaios experimentais que Claudia desenvolveu em São Paulo a partir de seu interesse pela cidade e pelo corpo humano. Fazem parte desse núcleo a série sobre a Rua Direita, os nus da série A Sônia e fotos aéreas tiradas com filme infravermelho.

O quarto e último núcleo da mostra contém fotografias de natureza feitas durante as primeiras viagens à região da Amazônia, no começo dos anos 1970, especialmente ao longo do rio Jari, no Pará, e em Roraima. Claudia fotografou as cachoeiras de Santo Antônio e o lavrado roraimense com a experimentação e a sensibilidade que marcaram sua produção do período.

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